quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cientistas descobrem a corrente mais rápida do oceano profundo!

Uma importante descoberta vai ajudar os pesquisadores a monitorar os impactos das alterações do clima sobre os oceanos em todo o planeta. Cientistas australianos e japoneses descobriram uma densa corrente marítima com rápido movimento no oceano profundo da Antártida.



Segundo os pesquisadores, a corrente tem uma velocidade média de 20 cm por segundo e é a mais rápida já encontrada até hoje no oceano profundo. Com essa velocidade, a corrente movimenta mais de 12 milhões de metros cúbicos por segundo de água fria e salgada da Antártida.

"São as maiores velocidades que vimos até agora nesta profundidade, de três quilômetros abaixo da superfície, o que foi realmente uma surpresa para nós”, afirmou Steve Rintoul, um dos autores do estudo.

A corrente já havia sido identificada anteriormente, mas faltavam dados mais concretos para entender sua importância. "Nós não sabíamos se era uma parte significativa da circulação ou não, e isso mostra claramente que é," completou Steve Rintoul.

Foram usados equipamentos de medição ancorados a 4.5 km de profundidade no mar para registrar a velocidade da corrente, a temperatura da água e a salinidade durante dois anos.

As conclusões colocam essa corrente como parte fundamental no padrão global de circulação oceânica o que deve ajudar nas previsões climáticas. Os pesquisadores querem ainda melhorar as medições da velocidade e do volume da água salgada fria ao redor da Antártida. Todo o estudo foi publicado na última edição da revista Nature Geoscience.


Arte: O gráfico mostra a atuação das principais correntes oceânicas no globo. As correntes marítimas que se movem em direção ao equador são frias e as que se movem em direção aos pólos são quentes. A descoberta da nova corrente marítima, a mais rápida do oceano profundo, vai ajudar os cientistas a entenderem alterações climáticas ao redor do planeta.

sábado, 24 de abril de 2010

Terremotos no Brasil: Sismógrafos serão instalados em Pernambuco!

Moradores de Cupira e Belém de Maria, na zona da mata e agreste de Pernambuco, estão assustados com a frequência dos tremores de terra que vêm atingindo a região. Desde o último fim de semana, foram registrados pelo menos 60 pequenos abalos nos municípios. O maior teve intensidade de 2,8 graus na escala Richter.



Embora sem grandes estragos, os tremores provocaram rachaduras nas paredes de algumas casas e estão deixando a população insegura. Por isso, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resolveram instalar seis sismógrafos em Belém de Maria até o próximo domingo (25).

Os sismógrafos vão monitorar o solo e ajudar a identificar a área exata aonde os tremores vêm ocorrendo. Segundo os estudiosos, esta é a primeira vez que tremores de terra são registrados em Belém de Maria. Há pouco mais de um mês, o município pernambucano de Alagoinha também sentiu sucessivos abalos, sendo o maior de magnitude 3,2 graus.

Pernambuco, Ceará e o Rio Grande do Norte são os Estados com maior atividade sísmica do Brasil. Estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte já identificaram falhas geológicas e vários fragmentos de rochas antigas sob a Região Nordeste, que favorecem os abalos. Os eventos ocorrem por acomodações nas camadas geológicas e são sempre de baixa profundidade.


Terremotos no Brasil
Entre 15 e 20 sismos são registrados anualmente no Brasil, a maioria com magnitude próxima a 2.5 graus.


O país possui uma rede sismográfica muito pequena, incapaz de apresentar dados estatísticos satisfatórios e muitos sismos de pequena magnitude não são detectados, principalmente quando ocorrem em regiões distantes ou isoladas.

Um aumento na quantidade de estações revelaria um cenário bastante diferente, com um número de tremores bem maior do que o registrado atualmente.


Maior terremoto no Brasil
O terremoto mais intenso já registrado no Brasil ocorreu em Porto dos Gaúchos, no norte de Mato Grosso, em 31 de janeiro de 1955. Na ocasião os sismógrafos registraram 6.2 graus de magnitude.

O Estado de São Paulo também já registrou abalos significativos. Em 1922 um violento abalo de 5.2 graus foi registrado na cidade de Mogi-Guaçu e em 22 de abril de 2008, outro tremor de 5.2 graus ocorrido no litoral paulista foi sentido com muita intensidade em diversas cidades do Estado, além de Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eyjafjallajökull: Conheça o vulcão que colocou em xeque a Europa!

Nos últimos dias, o mundo testemunhou com perplexidade os gigantescos transtornos causados por um vulcão praticamente desconhecido, localizado na distante Islândia. Desde o século 19 o vulcão estava adormecido, mas no dia 21 de março de 2010 rompeu o silêncio e provocou a maior explosão piroclástica da Islândia dos últimos 200 anos, mergulhando a Europa em um gigantesco caos aéreo sem precedentes.



Localizado no sul da Islândia, o glaciar Eyjafjallajökull (pronuncia-se "Eia fiatlai ohut") é um estratovulcão de 1660 metros de altitude e a última vez que entrou em erupção foi no ano de 1821 e manteve-se altamente ativo até 1823, após duas erupções ocorridas em 920 e 1612.

Seu domo de gelo cobre uma cratera de aproximadamente 2.5 km de diâmetro e durante a erupção de 1821 causou uma severa inundação ao romper um lago glacial. A explosão de março de 2010 forçou a evacuação de 500 pessoas da região, mas foi a erupção de 14 de abril - 20 vezes mais poderosa - que causou o blecaute aéreo em todo o norte da Europa, ao lançar sobre o continente milhões de toneladas de poeira que ameaça se propagar por todo o continente.



Segundo relatório do Instituto de Ciências da Terra, da Islândia, a primeira erupção expeliu 140 milhões de metros cúbicos de tefra (cinzas vulcânicas), além de 70 milhões de metros cúbicos de magma, jorrados à razão de 300 m3/s ou aproximadamente 750 toneladas por segundo.

A pluma de material vulcânico que causou o blecaute aéreo na Europa foi provocada pela fase explosiva da erupção que teve início em 14 de abril. Durante essa fase a maior parte do fluxo de lava foi jorrada da cratera no topo da geleira Eyjafjallajökull e também das fissuras laterais da montanha, descobertas ou formadas após a violenta explosão. Diversos pontos de vazamento de material piroclástico foram abertos e contribuíram para o derretimento do gelo no entorno, que provocou as fortes enxurradas de água misturada às cinzas vulcânicas que descem pelos flancos.

A lava jorrada na fase inicial é do tipo basalto de composição álcali-olivina, comum em regiões oceânicas, com 47% de sílica.



A fase explosiva da geleira foi precedida por uma grande quantidade de tremores de pequena magnitude iniciada às 23h00 de 13 de abril, seguida por um forte abalo que marcou a erupção. Os primeiros sinais do degelo ocorreram às 7 horas da manhã seguinte e algumas horas depois a pluma de cinzas e fumaça já atingia mais de 8 mil metros de altitude.

Em poucas horas a mistura de água e cinzas chegou às regiões mais baixas do vulcão, destruindo estradas, infra-estruturas e fazendas, obrigando as autoridades locais a evacuar pelo menos 700 pessoas do entorno da montanha.

Impulsionada pelos ventos vindos de noroeste, a grande pluma de cinzas atingiu o continente europeu no dia 15 de abril, causando o colapso aéreo amplamente noticiado pela imprensa e forçando a suspensão de mais de 70 mil voos até 19 de abril.

Saúde
Além do gigantesco prejuízo financeiro, as cinzas vulcânicas também preocupam as autoridades de saúde. Segundo o pesquisador Jay Miller, ligado à Universidade do Arizona, as cinzas podem ser "um verdadeiro assassino" caso sejam inaladas pelas pessoas. "Quando a lava do vulcão a 1200 graus toca a água, é produzida uma cinza muito fina que contém pequenas partículas de vidro. Quando inaladas, seria como rasgar literalmente os pulmões", adverte o cientista.

Islândia
A Islândia está localizada no norte do Oceano Atlântico e geologicamente é considerada uma ilha bastante nova e ainda em formação.



Cortada pela dorsal Meso Atlântica, a ilha é praticamente rasgada por uma grande falha geológica criada pelo distanciamento entre a placa tectônica norte-americana, ao leste e eurasiana, a oeste. Essa "rachadura" se afasta cerca de 3 cm por ano e é responsável por um intrincado sistema de vulcões submarinos interligados e do hot spot que forma a Islândia.

Hot spot, ou ponto quente é uma área da superfície continental ou oceânica que sofreu vulcanismo ativo por muito tempo e onde há liberação de material magmático. Ao entrar em contato com a água esse material incandescente se solidifica, formando novas ilhas ou aumentando o território. Um exemplo bastante conhecido de Hot Spot são as ilhas do Havaí.

Possibilidades
Após o episódio da erupção do Eyjafjallajökull, vulcanólogos acreditam que a descompressão do gelo causada pelo derretimento de grandes massas, além de outros fatores, pode acelerar processos eruptivos em outros vulcões da região. Um desses vulcões é o Katla, o maior vulcão da Islândia e localizado sobre a fissura vulcânica de Laki, próxima ao Eyjafjallajökull.

No entender de alguns pesquisadores, uma erupção nesse sistema poderia provocar uma nuvem de cinzas dez vezes maior que a atual, com consequências imprevisíveis.